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22/09/2009

Biocombustíveis

Produção de dendê e biodiesel: Pará quer dianteira.


Terras férteis, luminosidade o ano todo e quantidade de chuva fazem doPará um dos principais Estados quando o assunto é a produção debiodiesel a partir do óleo de palma ou óleo de dendê, como é maisconhecido no Brasil. Não por acaso, duas das maiores empresas do País -Vale e Petrobras - estão em vias de implantar na região projetos para oplantio de dendê e a produção do chamado combustível verde.

Anovidade foi confirmada pelo titular da Secretaria de DesenvolvimentoCiência e Tecnologia do Pará (Sedect), Maurílio Monteiro. Ele diz que,embora não tenha números fechados sobre o volume que poderá serproduzido, o governo trabalha com a meta ambiciosa de fazer do Pará omaior produtor mundial de óleo de dendê, superando países como aMalásia, que hoje se destaca nesse mercado.

E o objetivo dessaprodução não é chegar apenas ao óleo queridinho da indústria dealimentos, usado em produtos como margarina e biscoitos. A idea éavançar até o óleo combustível, que poderá mover carros e máquinasindustriais com preços e níveis de poluição mais baixos. “Podemos até avir exportar o biocombustível, mas nossa prioridade será o consumointerno”, diz Monteiro.

A Vale, por exemplo, poderá usar obiocombustível para mover as locomotivas das plantas de extração deminério de ferro, cobre, níquel e bauxita instaladas no Pará.

>> Região: potencial em 10 milhões de hectares

Osresultados dos investimentos previstos para começarem este ano sóaparecerão nas bombas a partir de 2014, quando Vale e Petrobrasconsolidarão a implantação das unidades de beneficiamento da palma.

Sóa produção da Vale gerará seis mil empregos diretos, de acordo comestimativas apresentadas pela empresa ao governo do Estado. Tanto Valecomo Petrobras incentivarão a produção da palma por pequenosprodutores, que seriam beneficiados com assistência técnica efinanciamento. Eles receberiam sementes da Empresa Brasileira dePesquisa Agropecuária (Embrapa), que recebeu do governo federal amissão de desenvolver a parte tecnológica do Programa de Incentivo àProdução de Dendê. Uma das prioridades do governo antes do pré-sal, obiocombustível era principal aposta de matriz energética capaz de darcompetitividade ao Brasil frente aos outros países.

Para que ospequenos produtores se animem com o plantio, as empresas darãogarantias de que comprarão a produção. Só o projeto da Valebeneficiaria duas mil famílias, com acompanhamento do governo do Estado.

Valee Petrobras e os governos federal e estadual apostam que não seránecessário fazer desmatamentos no Estado para a produção debiocombustíveis em alta escala. Com discurso afinado, dizem que serãousadas apenas áreas já antropizadas. Por isso, o plantio só seintensificará após a conclusão do zoneamento econômico-ecológico doEstado, que detalhará a vocação econômica e ambiental do territórioparaense.

Apenas no projeto da Vale, que será resultado de umconsórcio com a empresa Biopalma, serão ocupados 130 mil hectares. Maisda metade, 70 mil, seriam destinados à reserva legal e preservaçãopermanente, com recursos do consórcio para a manutenção.

Doponto de vista ambiental, o projeto apresenta a vantagem de reduzir asemissões de carbono na atmosfera. Nos 25 anos de vida útil doempreendimento, seriam capturadas 12 milhões de toneladas de carbono, oequivalente às emissões de 200 mil carros ao longo de todo esse período.

Alémdo plantio do dendê e extração do óleo, as empresas devem fazer tambéma comercialização de subprodutos usados nas indústrias de cosméticos ede ração animal, caso das cascas e amêndoas do dendê. A energianecessária aos projetos também virá da palma.

Essa não será aprimeira vez que grandes empresas investem no plantio do dendê naAmazônia. Nos anos 70, a Superintendência de Desenvolvimento daAmazônia (Sudam) incentivou o plantio da palma para a produção do óleousado na indústria de alimentos. Alguns desses empreendimentosfracassaram por culpa da ação de pragas. Desta vez, diz o titular daSedect, a história poderá ser outra. “A biodiversidade da Amazônia éuma riqueza, mas também impõem desafios. As plantações foram atacadaspor pragas mas a própria experiência mostrou quais os tipos resistentesaos ataques”, diz.

Outro desafio para o projeto biocombustível apartir do óleo de palma é a bagunça fundiária do Pará. Monteiro diz queo governo aposta no Cadastro Ambiental Rural para a regularizaçãofundiária e ambiental das propriedades, o que ajudará na adesão dosprodutores, com acesso a crédito.

A produção de dendê naAmazônia, diz Monteiro, é parte da estratégia do governo para atrairinvestimentos e faz parte também dos planos do governo federal.

Hojeo Brasil é o 16º produtor da cultura com cerca de 70 mil hectaresplantados. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o potencial naAmazônia é para o plantio de dez milhões de hectares. (Diário do Pará)
 
 
 

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